quinta-feira, agosto 18, 2005

Batman Returns (1992) de Tim Burton



Um berço com um bebé indesejado é lançado nos esgotos assombrosos de Gotham City e é nessa altura que a banda sonora começa em crescendo, culminando precisamente no momento em que um bando de morcegos inunda o ecrã e o título do filme surge em todo o seu esplendor: Batman Returns. E que regresso foi este quando na minha infância sentado naquela sala de cinema vi um dos filmes mais marcantes da minha vida. Tim Burton foi a par com Steven Spielberg o primeiro realizador cujo nome nunca fixei de imediato. Sabia que cada filme seu era único e sombrio e espectacular. E assim foi porque Tim Burton, depois de bater recordes de bilheteira com o primeiro Batman e se revelar como o genial criador do magnífico, conseguiu um controlo absoluto sobre a produção desta sequela, assinando aquilo que está muito longe do típico filme de super heróis e mais próximo do universo da tragédia.

A sequência que descrevi no início do comentário marcou-me desde o primeiro momento e guardo-a até hoje como intocável. Mesmo sabendo que estamos perante um filme sobre Batman, os créditos de abertura anunciam algo diferente e aterrador, que se vem a confirmar logo de seguida. É que além de filmar esta genial história, Burton brinca com as suas grandes referências cinéfilas, particularmente do âmbito do terror (os filmes da Hammer, e mesmo expressionismo alemão - a personagem de Christopher Walken tem o mesmo nome do actor que encarnou Nosferatu no mítico filme de Murnau) e atinge aquele que porventura é ainda o pico do seu estilo gótico. Muito se criticou na altura o facto de o filme relegar um pouco a presença de Batman para segundo plano, centrando-se mais nos vilões (neste caso, Pinguim e Catwoman) e a verdade é que Batman não é mais protagonista do que os vilões. Mas o que se passa é que Burton é um autor, e como tal não resistiu a contar a história destas personagens marginalizadas. E de certa forma, todos os vilões funcionam quase como faces do próprio herói: órfão, com um passado trágico, rico...

Esta é uma obra de arte disfarçada de blockbuster de Hollywood, e é também o melhor filme de Tim Burton, um autor que se viria a revelar como um dos mais criativos e geniais de toda uma geração. Cada filme seu é um mundo, e um mundo que vale a pena visitar, e onde nos podemos deliciar e comover. E a verdade é que Batman Regressa tem ainda a capacidade de conduzir o espectador às lágrimas, com um dos mais belos e poéticos finais de que me consigo lembrar, e o filme resulta comigo ainda hoje, tão bem ou melhor do que quando o vi pela primeira vez, há mais de doze anos atrás.

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